Datas Comemorativas

 

Dia do Índio


 

    OS PRIMEIROS BRASILEIROS

    Na costa do descobrimento, onde moram os pataxós, Dia do Índio não é só 19 de abril. Saiba como eles vivem.

    Os índios estão bem diferentes daqueles de 1500. A tribo tupiniquim, que recebeu a frota de Cabral, já estava quase toda desaparecida no século XVII. São os pataxós que moram agora em Santa Cruz Cabrália, região do descobrimento. Aos poucos, eles também foram perdendo espaço para os brancos. E assimilaram a cultura das cidades. Ninguém mais anda pelado. Os pataxós estão correndo atrás do prejuízo. Terreno maior para viver, já conseguiram. A batalha agora é manter sua cultura indígena, sem desperdiçar o que aprenderam com caras-pálidas.



 

     No norte de Santa Cruz Cabrália, fica a reserva de Mata Mendonha. Para chegar lá, é preciso pegar uma balsa e enfrentar uma hora de estrada de terra. Nessa reserva, os pataxós não vivem no meio de turistas, como em Coroa Vermelha. Mas também não moram em ocas de palha, como a gente vê nos livros. As casas são de barro e ficam afastadas uma das outras. Os moradores pescam, plantam aipim, feijão, milho e cana, criam galinhas e porcos. Esses pataxós só usam tanga e cocar na Semana do Índio, quando brincam o auê, uma dança em que fazem uma fila e andam em círculo, batendo o pé. Em Mata Mendonha, não há energia elétrica e ninguém tem TV. Mas o rio é a maior diversão para os indiozinhos. Muitos aprendem a nadar sozinhos. Começam no raso e, depois de um tempo, já estão plantando até bananeira no rio.



    Na escolinha da reserva, há apenas uma sala de aula e duas turmas: a dos pequenos, de manhã, e dos maiores, a tarde.



 

    Algumas palavras do dicionário pataxó:

    Açucar: merkide                                             Mulher bonita: jokana baixó

    Carne: suni                                                      Mulher feia: jokana baikã

    Comida: manguti                                            Pai: ipapamankan

    Criança: kitoki                                                 Peixe: mucukui

    Dinheiro: kaiambá                                          Porco: mukurê

    Homem bonito: tokão kakuçó baixó         Rio: mianga

    Homem feio: tokão kakuçó baikã              Terra: rão-rão

    Mãe: imanmanká                                            Sol: raiô

 

    Organização e sobrevivência

    Os índios brasileiros sobevivem utilizando os recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente com a ajuda de processos rudimentares. Eles caçam, plantam, pescam, coletam e produzem os instrumentos necessários a estas atividades. A terra pertence a todos os membros do grupo e cada um tira seu própio sustento.

    Existe uma divisão de tarefa por idade e por sexo: em geral cabe a mulher o cuidado com a casa, das crianças e das roças; o homem é responsável pela defesa, pela caça ( que pode ser individual ou coletiva), e pela colheita de alimentos na floresta.

      

    Os mais velhos - homens e mulheres - adquirem grande respeito da parte de todos. A experiência conseguida pelos anos de vida transforma-os em símbolos de tradições da tribo.

    O pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro espiritual.

    Além de um conhecimento profundo da vida e dos habitos dos animais, os índios possuem técnicas que variam de povo para povo. Na pesca, é comum o uso de substâncias vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis. A maioria dos índios no Brasil pratica a agricultura.

    A arte se mistura a vida cotidiana. A pintura corporal, por exemplo, é um meio de distinguir os grupos em que a sociedade indígena se divide, como pode ser utilizada como enfeite. A tinta vermelha é extraída do urucum e azul, quase negro, do jenipapo. Para a cor branca, os índios utilizam o calcário.


    Alguns índios realizam trabalhos em madeira. A pintura e o desenho indígena estão sempre ligados à cerâmica. Os cestos são comuns em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que são feitos.

 

   A educação indígena é bem interessante. Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprendem desde pequenos e de forma prática. Costumam observar o que os adultos fazem e vão treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto para este aprender.

 


 

 

Apostila Expoente, Por um mundo melhor

Edição 2009/2010

Ensino Fundamental, 5* ano, Volume 1, p. 52, 53 e 54

VEJA KID + São Paulo: Abril. abr. 1999, p. 36 a 38

Funai (Fundação Nacional do Índio)